quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Um dia criança"

Criança, do meu mundo pobre,
não sei o que cobre
a tua nudez.
Será muito amor?
Será o calor?
Talvez, talvez!
O amor vem de onde?
De trem ou de bonde?
De avião?!...
E o calor, vem do ar?
Vem do mar?
Ah, do coração.
O coração de quem?
De quem te mantém?
Te ensinaram.
Cadê o teu pai,
pra longe vai?
Mataram?!...
Oh meu mundo!
Pare um segundo,
por piedade,
me deixe ficar
aqui, parado, sem xingar
a tua vaidade.

Criança, do meu mundo triste,
eu sei que existe
a felicidade.
Aonde eu não sei,
mas um dia sonhei,
é verdade!
Sonhei com um mundo encantado,
todo prateado,
cheio de brinquedos.
E crianças, de todas as cores,
nos esplendores
dos seus folguedos.
Eu também era criança e brincava.
Sorria e cantava,
alegremente.
Cada adulto que eu via
era criança também.
Brincava de roda, de corda, de trem!
Todo mundo contente.

Porém o sonho terminou assim:
eu vi o fim,
a realidade.
Quiças, um dia, um homem,
não lobisomem,
veja também de verdade.
Criança, pequena peça inocente,
é tão barato teu presente!
E o futuro?
Quem é que sabe?
Só Deus ou quem apague
tua luz; no escuro.
Mas um dia, no futuro, eu sei,
adulto te verei.
Que mudança!
Gordo, de bigodes, homem de bem
e talvez te lembres também
que um dia fostes criança.

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